25 julho 2013

Thomas Morus e sua utopia

Thomas Morus escreveu “Utopia” no século XVI, na Inglaterra sob o reinado de Henrique oitavo e sob as influências do humanismo e do renascimento. Seguindo o exemplo de outros autores contemporâneos a ele, Morus utilizou-se de seu talento literário e de seu lado irônico para tecer profundas críticas às realidades europeias do século XVI.
O autor deixa claro para os leitores que a fabulosa ilha de Utopia representa na verdade uma realidade totalmente oposta à vivida na Europa Ocidental durante o século XVI. Fica claro também que a mentalidade de autores como Thomas Morus e Erasmo de Roterdã estão imbuídos do pensamento greco-romano “recém redescoberto”. Além disso, outros elementos como a descoberta de um “novo mundo”, a invenção da imprensa e o racha na unidade da Igreja configuram-se como elementos que abalaram as velhas instituições da Europa medieval. As principais críticas feitas ao longo da Utopia estão relacionadas à propriedade privada, a nobreza, e ao sacerdócio.
Thomas Morus começa sua obra com extensos diálogos entre os personagens, mais especificamente entre ele (Morus), Pedro Gilles, Rafael Hitlodeu e John Clement. Podemos dividir os temas abordados por eles durante o dialogo em três: Papel do filósofo na vida política, análise do Regime (feudalismo, direito, religião e poder), e o dinheiro como causa corrupção.
Fazendo referência ao primeiro tema (filósofo na vida política), o autor Ricardo Hiroyuki Shibata deixa claro que Morus, através de seus personagens, vai defender um dos pensamentos básicos dos humanistas:
“Como se sabe, a grande bandeira defendia pelos humanistas foi aquela em que eles mesmos se consideravam os mais aptos dentre todos os cidadãos da república para fornecer conselhos de ordem governativa....” (A CONTENTIO DO LIVRO I DA UTOPIA DE MORUS pagina 3 e 4 )
Ao se recusar em servir de conselheiro aos reis de sua época, Rafael Hitlodeu evidência uma contradição vivenciada pelo autor, pois o próprio Thomas Morus era conselheiro de um rei inglês. Thomas deixa essa contradição explícita na fala de Platão:
“A humanidade. Será feliz um dia, quando os filósofos forem reis, ou quando os reis forem filósofos”.(Utopia Thomas Morus página 19).
A segunda grande temática debatida nos diálogos é referente às ao sistema feudal, ainda muito presente durante o século XVI, e suas instituições. O autor aponta como principal crítica ao sistema de justiça do antigo regime a “mão de ferro” imposta aos cidadãos, pois o assassinato e o roubo eram punidos da mesma forma (com a pena de morte). Mais uma vez o autor mostra estar sendo influenciado pelo pensamento Greco-romano ao apontar como solução desse problema a justa medida entre delito e pena (concepção desenvolvida por Aristóteles). A nobreza feudal, junto ao clero, serão os responsáveis por criar na população uma parcela de seres com maus hábitos e sem ofício, sendo, portanto classificados como “totalmente inúteis à sociedade”. A riqueza de ambas as camadas sociais (clero e nobreza) vai estar ligada aos monopólios e oligopólios. No terceiro assunto abordado pelo diálogo estão as questões relacionadas à origem da miséria e da violência vivida pela população européia durante o início do século. Segundo o autor, a gênese dos problemas sociais era a concentração de riqueza nas mãos de uma pequena parcela da população. Isso fica bem exemplificado no caso da Inglaterra, onde:
“Os inumeráveis rebanhos de carneiros que cobrem hoje toda a Inglaterra. Estes animais, tão dóceis e tão sóbrios em qualquer outra parte, são entre vós de tal sorte vorazes e ferozes que devoram mesmo os homens e despovoam os. Campos, as casas e as aldeias”.(Utopia Thomas Morus página 11)
Em relação à primeira parte do livro, já é possível observar que por meio de um diálogo imaginário entre personagens, Morus se colocou de maneira crítica enfrentando os problemas que ocorriam em sua sociedade. Ele deixa claro também que o papel do filósofo dentro dessa sociedade é antes de mais nada intervir o máximo possível em prol do “bem-comum”. A Ilha de Utopia descrita por Thomas Morus no capítulo seguinte irá surgir em resposta a essa dura realidade, pois segundo o filósofo György Lukács:
"Toda utopia é determinada, por seu conteúdo e orientação, pela sociedade que ela repudia; cada uma das suas contra-imagens histórico-humanas se refere a um determinado fenômeno do hic et nunc histórico-social”.(György Lukács)
Ao ler a descrição feita por Thomas Morus no capítulo dois de seu livro, podemos ser levados a pensar que a deslumbrante ilha de Utopia representa uma sociedade totalmente liberta dos valores e crenças da Europa Ocidental. Contudo, ao fazer uma leitura um pouco mais atenta é possível perceber que Morus deixa evidências que possibilitam a percepção de seu caráter extremamente religioso e eurocêntrico. Ainda fortemente ligado às percepções do antigo regime feudal, o autor diz que os habitantes de Utopia antes de tudo devem trabalhar a terra, a fim de produzir não seu sustento, mas também garantir o sustento e a riqueza de toda a Ilha. Também na questão religiosa é possível observar os laços com o antigo regime, pois mesmo havendo o livre culto entre os habitantes é preciso chamar Deus por um único nome (Mitra). Sustento minha análise utilizando as palavras de Adolfo Sanchez Vazquez:
“Não existe utopia pura, à margem da visão crítica e dos valores que a orientam, caso se aspire a realizar na alternativa social a realidade criticada. Neste sentido, toda utopia supõe ou traz entranhada certa ideologia”. (Vázquez, 2001, p. 363).
O termo Utopia (“lugar nenhum”) ganha nas palavras de Thomas Morus um re-significado. Ao compararmos o “novo mundo” descoberto com as grandes navegações do século XV com a “velha” Europa ocidental, vamos perceber que ele realmente não é “nada” (em termos materiais), e justamente por ainda estar em seu estado “primitivo” é que se torna possível a Utopia. O mundo utópico cristão via no novo mundo uma espécie de paraíso na terra, pois seus habitantes (os índios) eram simples, pobres, despudorados e não haviam sido tocados pelo “pecado original”.
Mesmo nessa fabulosa ilha idealizada por Morus podemos encontrar elementos reforçadores de hábitos e costumes do antigo regime como por exemplo, as questões relacionadas ao trabalho na terra:
“Há uma arte comum a todos os utopianos, homens e mulheres, e da qual ninguém tem o direito de isentar-se, é a agricultura. As crianças aprendem a teorianas escolas e a prática nos campos vizinhos da cidade. (Utopia Thomas Morus página 33)

Podemos assim concluir que o ideal de utopia criado por Thomas Morus surge de um profundo diálogo entre ele com seu tempo histórico e seu ideal religioso eivado de compassos e descompassos entre a realidade e a Utopia.



Valdeir Conegundes

Fonte:
Shibata, Ricardo. A contentio do livro I da utopia

 Della Fonte, Sandra / Loureiro, Robson / Mari, Cezar. Utopia e ética: a contribuição de Thomas Morus

Morus, Thomas. Utopia

Vazquez, A.S. Entre a realidade e a Utopia: ensaios sobre política, moral e socialismo

24 julho 2013

Introdução ao Egito Antigo




    O Egito Antigo e sua organização social e mental é uma das mais fabulosas e (des)conhecidas civilizações de todos os tempos.

    Digo (des)conhecidas pois apesar de todos já termos escutado ou lido sobre o Egito Antigo, não tentamos entender o significado da arte e pensamentos, apenas conhecemos as múmias, faraós e esfinges de uma forma bem pouco aprofundada.
    Esta civilização se formou as margens no rio Nilo (pertencente ao nordeste da África, hoje atual Egito) e sua economia era majoritariamente agrícola e os camponeses trabalhavam nas terras, pagando alguns impostos para o Estado, que era centralizado na figura do faraó (que significa “casa grande”, ou seja, detentor de uma vasta porção de terra) e o faraó era visto como a própria vivificação de algum deus, ou seja, era o próprio deus corporificado em um ser humano. Lembrando que a religião egípcia era politeísta e antropozoomórfica, ou seja,existiam múltiplos deuses que por sua vez tomavam formas humanas e de animais também, esse é um dos motivos de vermos tantas figuras de animais em imagens egípcias.
    
    O faraó era mumificado, na crença de que seu corpo fosse preservado para a mais importante das “vidas”, a vida futura, após a morte, que os egípcios acreditavam, sendo assim, retiravam as tripas do corpo, e o cérebro pelo nariz. Lembrando também que alguns animais eram mumificados, sendo eles “deuses”.
O que vale salientar no campo político/social foi a pratica da servidão coletiva que existia, sendo os camponeses que trabalhavam nas obras públicas (construindo as pirâmides, que eram os túmulos dos “deuses” faraós, no imposto chamado de corveia, que era basicamente três dias de trabalho obrigatório para o Estado) e canais de irrigação para as terras. Muitas pessoas cometem erros atribuindo as obras aos escravos, que existiam, mas eram domésticos servindo ao faraó e aos altos cargos do corpo administrativo.



    A religião é um dos campos mais fascinantes dessa civilização, diversas correntes historiográficas defendem que o Egito era uma teocracia, porém, os sacerdotes que cuidavam dos templos dos deuses estavam submetidos aos próprios deuses no corpo do faraó. Figuras como Hórus, Seth, Osíris e Isis formam parte da grande diversidade de deuses desta civilização.

   Osíris, que de início era o deus da vegetação e depois rei dos mortos, fora morto pelo seu irmão Seth e seu corpo foi cortado em vários pedaços. Hórus, deus da ordem e da justiça, com cabeça de falcão é o único animal que pode olhar fixamente para o sol, filho de Osíris, acabou vingando a morte do pai na busca pelo trono contra o assassino de seu pai Seth.
Osíris acabou sendo o deus que decide a imortalidade, onde os mortos eram julgados e deviam falar que não tinham cometido determinadas ações como: cobiça, adultério, mentira, ira, entre outros. Após isto, o coração do morto é posto numa balança de um lado, e do outro uma pena, se o coração fosse mais pesado que a pena, o morto seria comido pelo deus Amuut, se a pena pesasse mais que o coração, o morto iria para um plano com uma “vida” tranquila e feliz, o Faraó não precisava desse julgamento, indo direto para o plano espiritual.
Este julgamento era observado por Anúbis, cabeça de chacal, guardião do reino dos mortos, Toth, deus dos escribas, representado por um macaco.

   Esta lenda é apenas uma das várias da religião completamente vasta e interessante desta civilização, como todos os outros campos de estudo, porém, apenas introduzi o assunto para ajudar nas pesquisas futuras.

Felipe Alves


Fontes:
 Mitos e lendas do Egito Antigo – T.G.H. James
 As primeiras civilizações – Jaime Pinsky
 História da civilização ocidental – Edward McNall Burns
            
http://www.fascinioegito.sh06.com/

22 julho 2013

Comida, bebida e a sexualidade no século XVI

  A História tradicional tem trabalhado em geral visando aspectos econômicos ou sociais, se focando talvez em grandes nomes e documentos oficiais como fizeram no positivismo ou ainda usando até mesmo uma foto no interior de uma caixa como fonte primária de um estudo que mudará o que sabemos sobre o período apresentado como fariam os da Escola dos Annales.

 Alguns historiadores discordarão mas eu acredito que entender como era a vida das pessoas dos séculos passados é também tão importante quanto entender como andava a vida política do país ou cidade na qual ela habitava, em outras palavras entender qual era o assunto do dia-a-dia das pessoas, quais eram piadas ou comédias que preferiam, ou ainda como comiam ou como era sua vida social.

 Em poucos momentos da história a comida e a bebida foram tão opulentas, isso não quer dizer que eram abundantes mesmo apesar de se conseguir mais áreas de cultivo e ainda melhorar a produção. A população em franca expansão na retomada do crescimento após a crise do século XIV, muitos morriam em decorrência da fome, na realidade a fome abria espaço para um número quase ilimitado de enfermidades.

  A alimentação cotidiana não era nem um pouco abundante, ao contrário da alimentação diária da nobreza, não rara eram as vezes que a população de extrema carência se alimentava graças à ação dos paroquianos, em geral eram oferecidos sopas com pão ou queijo, pouca água era consumida a bebida mais consumida no Ocidente Europeu era o vinho, enquanto que mais ao Oriente da Europa a cerveja era mais consumida. As carnes fosse de qualquer origem eram consideradas um luxo que era somente reservado para grandes ocasiões.

 A situação era bem diferente nas camadas nobres, como era de se esperar a alimentação era outra forma de afirmação da sua posição social que era importante mostrar. Grandes banquetes eram realizados em ocasiões como casamentos, batismos e enterros, esse banquetes monumentais duravam horas, e em geral conheciam a satisfação dos convidados com sua total embriaguez. Interessante notar que muitos nobres em geral de pequeno grau acabavam por se arruinar economicamente somente para que consiga ostentar em grandes banquetes.

 A vida do casal no que se refere a sua sexualidade está muito ligada ao que foi deixado nos tratados de teologia moral, e a alguns registros de confissão. Para os ideais cristãos os prazeres carnais são vistos como uma prisão do espírito no corpo, impedindo que este se eleve a Deus. De certa forma a atividade sexual era entendida nos manuais cristãos como forma de procriar e assim formar uma família legítima, em outras palavras o casamento poderia ser entendido como um remédio dado por Deus ao homem com o objetivo de preserva-lo.

  No século seguinte o discurso começa mudando ao afirmar que o prazer não era pecado quando a união se efetuasse com o cônjuge, era condenada a busca do prazer somente, ou ainda o uso de algum método para cancelar o sentido principal da união sexual que era reprodução. A sexualidade era muito regrada, não era aconselhável praticar relações sexuais no dias de “impureza” da mulher, no período de gravidez, aleitamento e em dias de festas, que eram em torno de cento e vinte no século XVI. Além disso a relação sexual devia acontecer na posição dita natural, com a mulher deitada de costas e o homem por cima, qualquer outra posição era considera “contra-natura”, se entendia até que algumas posições, por lembrarem animais copulando era consideras animalizadas e bestializadas. A posição natural por sua vez não podia se inverter com a mulher sobre o homem, afinal era contra a moral cristã no que se refere a mulher ser naturalmente submissa ao homem.



Alan Aragão Nunes

Fontes:

O queijo e os vermes - Carlo Ginzburg

Os andarilhos do bem - Carlo Ginzburg

História moderna através de textos - Adhemar Marques, Flávio Berutti e Ricardo Faria - Coleção textos e documentos.

A Idade Média: O nascimento do Ocidente - Hilário Franco Junior.

29 abril 2013

História e cultura muçulmana


  O que a mídia mostra nem sempre é a verdade, e aqui está um outro assunto que costumeiramente é tratado de forma bastante superficial e tendenciosa.

 A cultura do povo muçulmano é muito rica, claro que costumeiramente ver notícias de mulheres apedrejadas  nos faz pensar que seria melhor essa cultura acabar, mas vou tentar por meio desse texto nos levar a uma pequena reflexão.

 Guerras Santas, invasões, apedrejamentos e assassinatos em nome de uma divindade, possivelmente são coisas que acontecem no mundo islâmico, mas também esteve presente no Cristianismo. Cruzadas, inquisição, movimentos de invasões a outros territórios com o objetivo de espalhar a fé entre outros acontecimentos.

 Não estou procurando colocar mais lenha nessa fogueira santa, mas só quero trazer o pensamento de que não é só nessa religião que coisas hoje tratadas como repugnantes estão presentes.

 Esse assunto mais do que outros está cada vez mais distante da cultura geral,  por meio dos povos muçulmanos e sua expansão chegaram a nós muitos textos da antiguidade, incluindo textos gregos que foram de grande importância até mesmo para o cristianismo,  como por exemplo, os textos de Aristóteles que foram cristianizados por S. Tomas de Aquino que assim deu um grande salto na escolástica (pensamento filosófico e religioso presente nas Universidades medievais).

No que acredita o muçulmano ?
 No entendimento da própria fé o homem ou mulher muçulmano se entrega totalmente nas mãos do deus único e criador, apesar de costumeiramente atribuírem a criação da religião a Maomé não é assim que o povo vê, eles acreditam que Maomé foi o último grande profeta, que veio trazer a verdadeira e suprema vontade de deus.

 Na visão do povo muçulmano Allah irá julgar a todos no dia do juízo final, segundo a tradição todos serão julgados baseados nos atos e pensamento terrenos, e tudo será pesado em comparação a confissão de fé que o homem pode oferecer a deus, segundo a crença ele terá o céu e terra na sua mão direita no momento do fim.
 Como Maomé então fez parte dessa religião ?
 Maomé nasceu no século VI da nossa era, com o nome de Bu I-Qasim Ibn Abdallah Muhammad, veio de uma família de mercadores, logo jovem perdeu os pais, crescendo ao lado do seu tio Ab Talib nas proximidades de Meca. Aos 25 anos aproximadamente começou a trabalhar em caravanas de comércio para uma rica viúva, Hadidja. Casou-se com esta mulher 15 anos mais velha e com ela viveu bem, de modo que se manteve com essa mesma esposa até a morte dela.

 Mais ou menos aos 40 anos de idade Maomé se dedicou a estudar meditar em cavernas, o que levou ele a se sentir inspirado pelo arcanjo Gabriel ( o mesmo que anunciou jesus), após isso se seguiram sonhos com o deus Allah (que já era presente nas religiões muçulmanas politeístas, ocupando o posto de deus superior), depois de noites e noites com essas ideias ele entende junto com sua mulher que ele foi chamado como profeta de deus.

 Ele passou então bom tempo se dedicando exclusivamente a propagar a palavra, em Meca sua fé foi rejeitada, já que o mundo árabe até então era firmado em raízes politeístas (acreditavam em vários deuses), com apenas 70 seguidores caminhou até a cidade de Yathib (Conhecida como Medina, a cidade do profeta), [neste exato momento de peregrinação o povo muçulmano começa a contar seus anos, estando portanto em meados dos anos de 1400] e continuou a propagar sua fé, retornando a Meca somente próximo de sua morte.

 Pela visão muçulmana como foi visto, Maomé não é o criador nem mesmo o deus, porém somente um profeta, e segundo o seu povo, assim como Jesus e Abraão anteriormente, na visão deste povo, Jesus somente tem a parte humana, sem ser filho de deus ou ainda ter poderes dados pela divindade.

 O crente deve seguir uma série rígida de regras, dentre elas podemos citar as cinco “colunas do islã”:
1 – O testemunho de fé que deve ser feito por todo crente, sendo esse o responsável que será levado ao criador para julga-lo.
2 – As orações obrigatórias que são sempre rezadas em direção a Meca, culturalmente se deve faze-las nas mesquitas e em grupo, mas ausente essa possibilidade ela deve ser feita em qualquer lugar, desde que virada para Meca.
3 -  O homens e mulheres adultos devem jejuar por 30 dias, somente se alimentando ao final do dia, quando todos se reúnem para uma refeição comum.
4 – Os fiéis são estimulados a doar e pagar esmolas aos mais pobres, de forma que não existam pessoas muito ricas e outras muito pobres.
5 – Tida como mais importante, o fiel deve pelo menos uma vez na vida ir a Meca, enquanto a saúde e o dinheiro permitir, existe na cidade, um mês dedicado a receber os viajentes.

 Por fim podemos ainda observar que por meio de comércio com a África principalmente, a fé se espalhou para o continente, sendo presente principalmente no  norte da África e no oriente, atualmente uma das três maiores religiões do mundo.

 Devo ainda lembrar que esse texto é puramente uma entrada ou ainda degustação para o assunto, com a bibliografia e fontes que daremos é possível se aprofundar e entender melhor esse grande mundo que no passado foi ponto de difusor de muita ciência e tecnologia, ainda que a grande mídia mostre ao contrário. Seria até impossível explicitar em apenas um texto, todo uma teologia como a muçulmana.


 Alan Aragão Nunes


Fonte:

Idade Média: O nascimento do Ocidente - Hilário Fr. Júnior.
África e Brasil africano - Marina Mello e Souza.
Uma breve história de religiões e de fé - autor desconhecido.

13 abril 2013

Desmistificando o socialismo e o comunismo


  Com a atual crise monetária internacional, os fantasmas do comunismo e do socialismo voltaram a assombrar os países do oriente e ocidente. Vou tentar ao longo desse texto explicar e diferenciar esses dois conceitos.

  Entre os vários partidos políticos regulamentados junto à justiça eleitoral, oito possuem em seus nomes as palavras “social” ou “socialista”. O socialismo propõe uma distribuição igualitária das riquezas produzidas. Na sua proposição original, o Estado socialista deveria ser apenas um estágio de transição para a sociedade comunista, mas infelizmente o comunismo nunca foi alcançado e implementado de fato. Países como Venezuela e Cuba, que adotaram o socialismo, possuem índices, nas áreas da educação e saúde, considerados de “primeiro” mundo se comparados aos seus vizinhos latino-americanos.

  No decorrer do século XIX, Karl Marx e Friedrich Engels elaboraram, após muitos estudos e observações, a teoria comunista. Segundo esses grandes pensadores a história de toda a humanidade é movimentada graças às contradições geradas pelos modos de produção, contradições essas que geram as lutas entre as classes formadoras da sociedade. O comunismo nada mais é do que o último estágio evolutivo das sociedades humanas, onde não mais haveria classes dominantes e dominadas.

  Para encerrar o post, vou reproduzir e responder, usando as palavras de Marx e Engels, uma das perguntas mais cretinas que alguém pode fazer a um comunista:
  Você se diz comunista e usa calça jeans, usa Internet e tem celular?
“O comunismo não retira a ninguém o poder de apropriar-se de sua parte da produção social; suprime apenas o poder de, por meio dessa apropriação, explorar o trabalho alheio.” (Marx e Engels, O manifesto comunista)



Valdeir Conegundes


Fontes:

O manifesto do partido comunista – Karl Marx e Friedrich Engels

Marx vida e obra – Leandro Konder

A historia dos homens – Josep Fontana

cafehistoria.ning.com



10 abril 2013

O povo germano


  Apesar do título no singular, não podemos dizer que existe um povo puramente germano, já que existem variações culturais em diferentes partes dos seus limites habitacionais, pela visão greco-romana esses povos eram totalmente bárbaros, ou seja, de uma cultura totalmente diferente dos antigos clássicos, não só diferentes como inferiores, visto que, os povos europeus de forma geral carregavam muito etnocentrismo, aconteceu com os germanos, com os povos que viviam no que hoje convêm chamar de África e ainda na América colonial, onde índios por serem diferentes foram classificados como inferiores, e de cultura selvagem.

  Os povos germanos de forma geral não se preocupavam muito em relatos escritos ou documentos, como uma sociedade que desconhecia o Estado, viviam centrados na Família, ou no seu clã, onde decisões eram tomadas, os maiores relatos que nos chegam desses povos, vem principalmente de gregos e romanos, que deixavam registros, alguns mais detalhados do que outros, entretanto tácito em seus escritos, deixa fontes suficientes para entender melhor o que faziam e como viviam os famosos bárbaros, mas não podemos deixar de creditar os diversos cânticos de heróis e deuses que ajudou a montar a mentalidade e o pensamento religioso desse povo.

Tácito, como era conhecido, foi um funcionário do governo romano por volta do século I e em sua obra - Germânia – deixa registros bem detalhados sobre aqueles povos, entretanto fugindo um pouco da visão geral, ele acabou por quebrar um pouco do etnocentrismo, claro que modestamente sendo um romano de nascença não poderia esquecer tudo aquilo que ouviu durante sua vida, ainda assim, como permaneceu aproximadamente quatro anos em lugares distantes do império pode ter tempo de relatar suas observações com precisão.


 A vida do jovem germano se foca na família, já que somente ela pode lhe garantir os direitos adquiridos, como por exemplo, o porte de armas e o direito ao saque nas invasões, o jovem se mantinha em casa com tarefas domésticas até que atingisse idade para usar armas em combate, o que ocorria normalmente entre os doze ou quinze anos. A guerra era a razão de viver dos germanos, chegando a ponto de se matar em caso de uma batalha ser perdida, ou ainda de se esconder aguardando uma chance para um último ataque desesperado.


 Apesar de seu armamento totalmente ofensivo, composto por lanças, espadas de duplo corte e machados, tinham forças militares muito organizadas com estratégias e técnicas avançadas, dessa forma também podemos notar que a construção de armamento era muito avançada, mostrando uma habilidade quase que insuperável na construção de armas e ferramentas, já que ao mesmo tempo guerreiros, também eram camponeses, e mesmo com seus deveres na guerra, respeitavam a paz na época de colheita.

 A sua vida era de guerra, logo sua religião e cultura não seriam diferentes, Deuses ligados à guerra eram comuns e estavam entre os mais importantes, Thor e Odin são os mais famosos devido a grande divulgação de filmes e contos, porém são integrantes de um pantheon bem diversificado.
 A mulher nessa sociedade era tida como a guardiã da pureza, sendo o adultério tratado com repulsa e morte, ela participava ativamente da vida do guerreiro, por exemplo, no momento do casamento dando um arma na mão de seu esposo simbolicamente dizendo que estará com ele em combate, a morte era tida como algo de certa forma natural e ainda uma honra, pois aqueles que morressem em combate seriam agraciados nos céus.


Alan Aragão

Fontes:
 Os povos bárbaros – Maria Sonsoles Guerras, editora Ática.
Um breve relato sobre mitologia , Editora Escala.
Atlas histórico básico, José Robson Arruda, Editora Ática.



31 março 2013

Aborto, um texto sobre


 Como estou tratando de um assunto muito problemático vou evitar ser agressivo, mas não vou deixar que meu pensamento fique ausente nesta publicação, assim como vou elucidar o ponto defendido pela ciência, não peço que acredite no que digo, na verdade, esse é o princípio da filosofia, seja crítico quanto aquilo que lê e ouve, e logo após vá em busca do conhecimento, assumindo assim seu ponto de vista.

 Existem autores que defendem que o aborto, assim como muitos outros sendo contra, de forma geral os que são a favor estão lutando por direitos básicos, enquanto que os contra estão defendendo sua visão conservadora e até religiosa, não vejo problema que isso exista, as pessoas devem sempre lutar pelo que acreditam.

 Proibir também não é a solução, de acordo com um site que será citado nas fontes podemos facilmente ver que os velhos argumentos que afirmam que são os adolescentes os mais prejudicados  já cai por terra, ao observarmos que a faixa etária dominante são de jovens entre 20 e 29 anos, e ainda daquelas que realizam a maioria se afirmam católicas chegando de 51% à 80% variando pela localidade, como ficou claro a religião não impede assim como a lei também tem se mostrado ineficiente nesse ponto.

 Dentre os motivos que levam a descobrir uma clínica clandestina estão as denuncias ou no pior dos casos quando uma paciente morre e não a forma de evadir o corpo, acabando por ser descobertos, isso claro só afeta as mulheres das classes econômicas subalternas, até porque os ricos tem uma quantia alta para pagar um médico e toda uma equipe como se fosse em um hospital normal, levando a pensar:  No Brasil o aborto é legal, mas só entre os ricos que podem pagar pessoas qualificadas para fazer.

 Dentre os outros problemas estão o pensamento popular que defende a vida, afirmando que isso é matar uma criança que não pode se defender, mas a maioria a favor defende que o aborto deve ser limitado até a 12° semana, ou seja, com limite de três meses, de forma que ainda não exista criança formada como concebemos no nascimento.
 Observem que no momento em que a escala marca o número doze, fica mais evidente que ainda não se trata de uma criança, porém apenas de um feto e ainda bem pequeno,  podemos também dizer que até em média a 15° semana não se desenvolveu a concepção sensorial, portanto não haverá sofrimento em retirar um agrupamento de células do interior do útero.

 Boa parte das pessoas que buscam esses assuntos chegam a se perguntar um momento o motivo de não usar métodos contraceptivos, agora de fato temos que elucidar um ponto, nenhum método é 100% seguro e nesse ponto os especialistas e médicos não  discordam, para alcançar uma efetividade muito alta é aconselhável o uso de dois métodos diferentes ao mesmo tempo (camisinha e pílula).

 Ainda podemos observar que fazer nascer uma criança que não é bem vinda (por motivos financeiros, ou ideológicos) só trará sofrimento no caso de um abandono, ou ainda de criação deficiente, levando que essa criança se torne um adulto problemático (não obrigatoriamente), além disso, quando de o dinheiro para criar essa criança fica ausente, ela acaba por ter que trabalhar desde muito jovem, se ausentando da escola e dos amigos,  chegando a ponto de alguns autores relacionarem de forma efetiva a proibição do aborto com um certo aumento da criminalidade.



Alan Aragão


Fontes:
O que é aborto – Danda Prado, Editora Brasiliense
Sociologia – introdução ao estudo da sociedade, Cristina Costa – Editora moderna.

29 março 2013

Chronos sobre Chronos: Mitologia grega e seu mito de criação


  A mitologia grega, antigamente sendo a religião dos antigos gregos e apropriada pelos romanos, é riquíssima em detalhes sobre a criação do mundo, do universo e todas as outras coisas que conhecemos, sendo mais um povo na história da humanidade que tenta explicar todo um grande processo por um mito de criação.

  A religião deles era politeísta*(acreditavam em vários deuses) e lembrando sempre que seus deuses tem características humanas, os antropomorfismos, e isso torna sua religião bastante interessante pelos vários acontecimentos. Todo mito de criação tem um início, por exemplo, “no princípio Deus criou o céu e a Terra”...

  Na mitologia grega é diferente, no princípio havia Caos, que era a desordem, a confusão, não existindo nada que conhecemos nem céu, nem Terra, apenas o “caos”.

  De toda essa desordem, nasce a deusa fértil Gaia (deusa Terra) que é o oposto de Caos numa relação de que a mesma dá origem a tudo que conhecemos, todos os seres, montanhas, água, ar e tudo o que pode formar o mundo.(Porém, os seres humanos sendo a mais importante das criações foi posterior à tudo isso com Prometeu.)

Gaia com toda sua fertilidade cria Eros ( o amor) e Urano (céu) sendo o último o deus que pode fertilizar Gaia, seu par e sua companhia. Dessa união a deusa gera seis titãs, dentre eles Cronos, e seis titânidas.
  Urano não sai de cima de Gaia, fecundando-a sempre e sem deixar e seus filhos saiam de sua barriga, assim Gaia trama uma plano para fazer com que Urano saia de cima dela. A deusa cria uma foice de ferro e pergunta aos seus filhos que estão em suas entranhas qual deles poderia se rebelar contra o pai Urano. 


  Cronos ( deus do tempo cíclico) aceita essa terrível missão, e com a foice de ferro, decepa o pênis de Urano, e o mesmo se afasta de Gaia por toda a eternidade, porém lança uma maldição a seu filho Cronos, que diz que o filho teria de pagar por ter mutilado seu próprio pai.


  Com esta mutilação, o pênis de Urano dá origem a deusa Afrodite, deusa da fertilidade, da fecundação.


Cronos com medo de perder seu posto, se casa com uma das titânidas Reia e passa a engolir todos os seus filhos, num gesto de horror e lembrando sempre da maldição que Urano tinha lhe mandado. Desse casamento os deuses conhecidos como Zeus, Poseidon e Hades.


  Reia, a mulher de Cronos, pede conselhos a sua mãe Gaia para que Cronos pare de engolir seus filhos, e numa ideia Reia pega uma pedra e dá a seu marido Cronos, o filho que seria Zeus, está a salvo e no futuro irá se vingar contra seu pai Cronos, lembrando da maldição que Urano tinha jogado para Cronos.


  Esta é um pouco do grande mito de criação dos antigos gregos, e algumas observações interessantes podem ser feitas, como por exemplo, vários deuses que chegam ao poder não querem de forma alguma perder todo este poder, cometendo atrocidades.


  O nome do deus Cronos influencia palavras que nós conhecemos da língua portuguesa, como cronologia, mostrando um pouco do grande legado que a civilização grega deixou para a atualidade, fora os conhecidos grandes filósofos, suas lendas de guerreiros e outros acontecimentos. 







Felipe Alves


Fontes:
O livro de ouro da mitologia - Thomas bulfinch
Bíblia
Coleção mitologia deuses - Maurício Horta