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24 julho 2013

Introdução ao Egito Antigo




    O Egito Antigo e sua organização social e mental é uma das mais fabulosas e (des)conhecidas civilizações de todos os tempos.

    Digo (des)conhecidas pois apesar de todos já termos escutado ou lido sobre o Egito Antigo, não tentamos entender o significado da arte e pensamentos, apenas conhecemos as múmias, faraós e esfinges de uma forma bem pouco aprofundada.
    Esta civilização se formou as margens no rio Nilo (pertencente ao nordeste da África, hoje atual Egito) e sua economia era majoritariamente agrícola e os camponeses trabalhavam nas terras, pagando alguns impostos para o Estado, que era centralizado na figura do faraó (que significa “casa grande”, ou seja, detentor de uma vasta porção de terra) e o faraó era visto como a própria vivificação de algum deus, ou seja, era o próprio deus corporificado em um ser humano. Lembrando que a religião egípcia era politeísta e antropozoomórfica, ou seja,existiam múltiplos deuses que por sua vez tomavam formas humanas e de animais também, esse é um dos motivos de vermos tantas figuras de animais em imagens egípcias.
    
    O faraó era mumificado, na crença de que seu corpo fosse preservado para a mais importante das “vidas”, a vida futura, após a morte, que os egípcios acreditavam, sendo assim, retiravam as tripas do corpo, e o cérebro pelo nariz. Lembrando também que alguns animais eram mumificados, sendo eles “deuses”.
O que vale salientar no campo político/social foi a pratica da servidão coletiva que existia, sendo os camponeses que trabalhavam nas obras públicas (construindo as pirâmides, que eram os túmulos dos “deuses” faraós, no imposto chamado de corveia, que era basicamente três dias de trabalho obrigatório para o Estado) e canais de irrigação para as terras. Muitas pessoas cometem erros atribuindo as obras aos escravos, que existiam, mas eram domésticos servindo ao faraó e aos altos cargos do corpo administrativo.



    A religião é um dos campos mais fascinantes dessa civilização, diversas correntes historiográficas defendem que o Egito era uma teocracia, porém, os sacerdotes que cuidavam dos templos dos deuses estavam submetidos aos próprios deuses no corpo do faraó. Figuras como Hórus, Seth, Osíris e Isis formam parte da grande diversidade de deuses desta civilização.

   Osíris, que de início era o deus da vegetação e depois rei dos mortos, fora morto pelo seu irmão Seth e seu corpo foi cortado em vários pedaços. Hórus, deus da ordem e da justiça, com cabeça de falcão é o único animal que pode olhar fixamente para o sol, filho de Osíris, acabou vingando a morte do pai na busca pelo trono contra o assassino de seu pai Seth.
Osíris acabou sendo o deus que decide a imortalidade, onde os mortos eram julgados e deviam falar que não tinham cometido determinadas ações como: cobiça, adultério, mentira, ira, entre outros. Após isto, o coração do morto é posto numa balança de um lado, e do outro uma pena, se o coração fosse mais pesado que a pena, o morto seria comido pelo deus Amuut, se a pena pesasse mais que o coração, o morto iria para um plano com uma “vida” tranquila e feliz, o Faraó não precisava desse julgamento, indo direto para o plano espiritual.
Este julgamento era observado por Anúbis, cabeça de chacal, guardião do reino dos mortos, Toth, deus dos escribas, representado por um macaco.

   Esta lenda é apenas uma das várias da religião completamente vasta e interessante desta civilização, como todos os outros campos de estudo, porém, apenas introduzi o assunto para ajudar nas pesquisas futuras.

Felipe Alves


Fontes:
 Mitos e lendas do Egito Antigo – T.G.H. James
 As primeiras civilizações – Jaime Pinsky
 História da civilização ocidental – Edward McNall Burns
            
http://www.fascinioegito.sh06.com/

10 abril 2013

O povo germano


  Apesar do título no singular, não podemos dizer que existe um povo puramente germano, já que existem variações culturais em diferentes partes dos seus limites habitacionais, pela visão greco-romana esses povos eram totalmente bárbaros, ou seja, de uma cultura totalmente diferente dos antigos clássicos, não só diferentes como inferiores, visto que, os povos europeus de forma geral carregavam muito etnocentrismo, aconteceu com os germanos, com os povos que viviam no que hoje convêm chamar de África e ainda na América colonial, onde índios por serem diferentes foram classificados como inferiores, e de cultura selvagem.

  Os povos germanos de forma geral não se preocupavam muito em relatos escritos ou documentos, como uma sociedade que desconhecia o Estado, viviam centrados na Família, ou no seu clã, onde decisões eram tomadas, os maiores relatos que nos chegam desses povos, vem principalmente de gregos e romanos, que deixavam registros, alguns mais detalhados do que outros, entretanto tácito em seus escritos, deixa fontes suficientes para entender melhor o que faziam e como viviam os famosos bárbaros, mas não podemos deixar de creditar os diversos cânticos de heróis e deuses que ajudou a montar a mentalidade e o pensamento religioso desse povo.

Tácito, como era conhecido, foi um funcionário do governo romano por volta do século I e em sua obra - Germânia – deixa registros bem detalhados sobre aqueles povos, entretanto fugindo um pouco da visão geral, ele acabou por quebrar um pouco do etnocentrismo, claro que modestamente sendo um romano de nascença não poderia esquecer tudo aquilo que ouviu durante sua vida, ainda assim, como permaneceu aproximadamente quatro anos em lugares distantes do império pode ter tempo de relatar suas observações com precisão.


 A vida do jovem germano se foca na família, já que somente ela pode lhe garantir os direitos adquiridos, como por exemplo, o porte de armas e o direito ao saque nas invasões, o jovem se mantinha em casa com tarefas domésticas até que atingisse idade para usar armas em combate, o que ocorria normalmente entre os doze ou quinze anos. A guerra era a razão de viver dos germanos, chegando a ponto de se matar em caso de uma batalha ser perdida, ou ainda de se esconder aguardando uma chance para um último ataque desesperado.


 Apesar de seu armamento totalmente ofensivo, composto por lanças, espadas de duplo corte e machados, tinham forças militares muito organizadas com estratégias e técnicas avançadas, dessa forma também podemos notar que a construção de armamento era muito avançada, mostrando uma habilidade quase que insuperável na construção de armas e ferramentas, já que ao mesmo tempo guerreiros, também eram camponeses, e mesmo com seus deveres na guerra, respeitavam a paz na época de colheita.

 A sua vida era de guerra, logo sua religião e cultura não seriam diferentes, Deuses ligados à guerra eram comuns e estavam entre os mais importantes, Thor e Odin são os mais famosos devido a grande divulgação de filmes e contos, porém são integrantes de um pantheon bem diversificado.
 A mulher nessa sociedade era tida como a guardiã da pureza, sendo o adultério tratado com repulsa e morte, ela participava ativamente da vida do guerreiro, por exemplo, no momento do casamento dando um arma na mão de seu esposo simbolicamente dizendo que estará com ele em combate, a morte era tida como algo de certa forma natural e ainda uma honra, pois aqueles que morressem em combate seriam agraciados nos céus.


Alan Aragão

Fontes:
 Os povos bárbaros – Maria Sonsoles Guerras, editora Ática.
Um breve relato sobre mitologia , Editora Escala.
Atlas histórico básico, José Robson Arruda, Editora Ática.